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Acesso em 25/06/2026 às 22h35.

Conquistando espaço: aumento do número de mulheres nas ciências e tecnologia reflete a luta pela igualdade e seus direitos

Escrito por: Elini Oliveira

8 de março de 2024, às 12h07 - Tempo de leitura aproximado: 5 minutos

O Dia Internacional da Mulher é celebrado em 08 de março. Em todo o mundo esta data representa a luta das mulheres por seus direitos e igualdade. Se muito já foi garantido e tanto ainda está por vir, no campo da Engenharia, da agronomia e da geociências não é diferente. Atualmente, 223.711 mulheres integram o Sistema Confea/Crea, o que representa cerca de 20% dos profissionais. No Tocantins, até 2023, 1549 mulheres estavam com o registro ativo no Conselho.

E quando o assunto é registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Tocantins (Crea-TO), as mulheres estiveram presentes desde a criação até hoje. No Regional, a primeira mulher a obter o Registro Profissional do Sistema foi uma engenheira civil, no dia 27 de outubro de 1993, mesmo ano em que o Conselho foi fundado no Tocantins.

Obra é sim lugar de mulher:

Mais de 30 anos depois da criação e fortificação do Conselho, as mulheres estão cada vez mais presentes e atuantes no Sistema. Um dos Registros Profissionais mais recentes é o da Beatriz Cerqueira, que é de Gurupi e entrou para o Crea-TO no dia 19 de fevereiro de 2024. Beatriz conta que decidiu que queria ser engenheira, no final do ensino médio, quando se interessou pelas disciplinas de exatas. “Sem dúvidas o maior medo que eu tinha era: “Obra não é lugar para mulher”, “Engenharia Civil é coisa de homem”.

Ao conversar com amigos que cursavam engenharia civil, eles me relataram que isso era um mito, e que havia muitas mulheres no curso, mas mesmo assim sentia medo de ser incapaz de conseguir. Foi então que eu decidi prestar o vestibular e me arriscar mesmo tendo inseguranças. Passei, entrei e embora a maioria do público predominantemente seja masculino, fiquei surpreendida com a quantidade de mulheres nessa área”, disse.

A Beatriz ingressou na Universidade UnirG em 2017. “Após dois anos e meio, transferi para o Instituto Federal do Tocantins, Campus Gurupi. Apesar dos desafios devido às mudanças de grade curricular, e início de pandemia, finalmente me formei em 2023, realizando um dos meus sonhos. Logo após todo esse processo tive o privilégio de tirar o meu Crea, que inclusive foi muito fácil e prático de executar, fiz tudo online”, elogia.

Para o 8 de março, a caçulinha do Sistema diz que mensagem deve ser de reconhecimento e encorajamento. “Reconhecer as nossas conquistas e contribuições significativas para a engenharia, além de incentivar a persistência na superação de quaisquer adversidades que ainda possamos enfrentar. Embora progressos tenham sido feitos, ainda há desafios a enfrentar, como a busca por igualdade de oportunidades, mais respeito e menos preconceito. Com determinação e apoio mútuo, acredito que as mulheres engenheiras podem continuar a quebrar barreiras e inspirar futuras gerações”, ressalta.

A competição é com você mesma:

Para a Engenheira de Minas, Lohanne Sousa, a escolha da engenharia não aconteceu de forma imediata. “Passei por outras faculdades, por meio do Prouni, até retornar para o Tocantins e começar a fazer engenharia de minas na UBRA Palmas. E o processo de eu conhecer o Crea foi fundamentado pelo meu estágio na Agência Nacional de Mineração. A partir desse momento que vim ter entendimento sobre os projetos técnicos, sobre a execução de relatórios e a dependência da ART”, explica.

Lohanne que também é membro do Programa Mulher do Crea-TO narra que o seu dia-a-dia como engenheira é mais na parte de consultoria, voltada à mineração em meio ambiente. “Uma das maiores adversidades foi entender o mercado e entender a minha fragilidade como mulher, principalmente aos consultores mais velhos, de você aprender a ter confiança sobre seu trabalho e vender ele”, ressalta.

A Engenheira de Minas aconselha que é preciso sair da faculdade mas nunca deixar de estudar. “Não se permita acomodar, porque qualquer área que você vá atuar, a competição é com você mesma”, disse.

Apaixonada pela profissão:

Apaixonada pela engenharia, a profissional Natália Sousa conta que não escolheu ser engenheira, e sim que a Engenharia a escolheu. “Eu brinco que a minha profissão não fui eu que escolhi, mas foi a profissão que me escolheu. Desde pequena quando me perguntavam qual profissão eu escolheria, eu sempre dizia que seria engenheira civil”, narra.

Para ela a engenharia é uma profissão extremamente linda, mas com muitas adversidades. “Eu falo que sou apaixonada pela profissão e sou apaixonada pelo o que eu executo e por tudo que eu busco, mas eu não escondo que ela não é uma profissão fácil”, conta.

Gerência de Fiscalização no comando de uma mulher:

O Crea-TO é um dos poucos CREAs dentre os 27 estados que possui uma mulher no comando da Fiscalização. No Regional, o setor é gerenciado pela Gerente de Fiscalização, Viviane Riveros. “Trabalhar no setor de fiscalização do Crea traz uma rotina muito dinâmica para a profissão, eu digo que todo dia no Crea eu aprendo uma coisa nova, mesmo já tendo 10 anos no órgão”, explica.

Durante a sua gerência o setor foi pioneiro na automação de dados. A Inteligência artificial batizada de “robozinho da fiscalização” foi criada pela fiscalização e realiza uma análise de dados a partir de um processo automatizado, utilizando a linguagem de programação Python.

Para Riveros, ainda uma das maiores dificuldades é ter mulheres em cargos de destaque. “Hoje existe uma abertura muito maior e uma confiança muito maior no trabalho das mulheres, mas ainda assim a gente é minoria em espaços maiores, por exemplo, ainda existem poucas gerentes de fiscalização. No Brasil todo, são em torno de três ou quatro apenas, em todos os 27 estados. Então é uma das dificuldades que a gente ainda pode ganhar espaço, pode ganhar confiança”, diz.

Ela ressalta que estar a frente de uma área tão importante do Crea é uma de suas maiores realizações.  “Ocupar o espaço que eu ocupo hoje, é uma vitória na minha vida, é uma realização de um sonho, chegar onde eu consegui chegar, conquistar o espaço que eu consegui conquistar, e sempre com aquele pensamento de que quero aprender mais e quero contribuir mais”, comemora.