Estiagem no Tocantins: Engenheiro Ambiental do Crea-TO faz alerta sobre queimadas
13 de agosto de 2025, às 15h29 - Tempo de leitura aproximado: 3 minutos
Durante os meses de julho a outubro, período de intensa estiagem no Tocantins, a umidade relativa do ar se eleva e, junto a isso, os riscos de queimadas também, principalmente em áreas de mata. A boa notícia é que o número de queimadas vem diminuindo e, de acordo com dados do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o Brasil registrou queda de 56,8% no número de focos de calor em julho de 2025 em relação ao mesmo mês em 2024. O estado do Tocantins segue o mesmo ritmo, e comparado aos números de 2024, ouve uma diminuição de 45% em relação ao ano anterior. No total, foram contabilizados 3.041 focos, frente aos 5.533 identificados em julho do ano passado. Os dados são da Defesa Civil do Tocantins.

O inspetor do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Tocantins (Crea-TO) Eng. Amb. Diego Rocha explica que o cerrado, bioma que ocupa 91% do estado, necessita de maior atenção durante período de estiagem. “Inicialmente, é fundamental compreender que as queimadas ocorrem com maior intensidade no período de estiagem, essas queimadas são um evento natural no Cerrado, onde ocorrem há muito tempo. No entanto, com a ocupação humana e as práticas a ela relacionadas, observamos uma intensificação significativa das queimadas; diante dessa intensificação no Tocantins, observa-se um desvio do padrão natural, com o cerrado sendo afetado além de sua capacidade de regeneração”.

“Consequentemente, a ocorrência de queimadas se intensifica no período, causando danos ambientais significativos. A perda de biodiversidade é notável, com prejuízos à fauna e à flora. Simplificando, há uma perda muitas vezes irreparável de populações de insetos, mamíferos e outras espécies típicas do Cerrado. A vegetação também sofre, pois, embora o Cerrado seja adaptado a períodos de queimadas, esses eventos se tornaram frequentes, muitas vezes ocorrendo em intervalos curtos, sem dar tempo para a recuperação. Estudos indicam que grande parte dos focos de queimadas são causados por ações humanas, mesmo quando autorizadas pelos órgãos ambientais, as queimadas frequentemente saem do controle”, destaca.
Principais cuidados a serem observados
“Em períodos de baixa umidade, a combustão pode ocorrer naturalmente agravada pela ação humana. Portanto, é fundamental evitar o descarte inadequado de materiais como garrafas e latas, que podem provocar superaquecimento e, consequentemente, incêndios, especialmente nas margens de estradas. Ademais, práticas tradicionais de queima em propriedades rurais, já comprovadamente prejudiciais, devem ser abandonadas. A queima, por vezes utilizada para limpeza, não contribui para o objetivo almejado, resultando em empobrecimento do solo, desgaste e aumento da temperatura da superfície. Este cenário dificulta a germinação ao longo do tempo” explica.
“É recomendável evitar o descarte inadequado de objetos como garrafas e latas, que podem gerar focos de incêndio, especialmente em beiras de estradas. Da mesma forma, é importante abandonar práticas tradicionais de queima, normalmente utilizadas em propriedades rurais para limpeza de áreas. Estudos comprovam que essa prática, além de não atingir os objetivos desejados, contribui para o empobrecimento do solo, o aumento da temperatura da superfície e a consequente dificuldade na germinação de plantas”.
“A médio e longo prazo, esses fatores podem gerar impactos significativos nas mudanças climáticas. A ocorrência de grandes áreas queimadas e a alteração da cobertura do solo afetam o complexo sistema de trocas e evapotranspiração, podendo provocar alterações no clima regional. Consequentemente, observa-se a diminuição das chuvas e o ressecamento de córregos, entre outros efeitos”, ressalta.
O Engenheiro Ambiental ainda pontua a importância da conscientização. “É fundamental conscientizar a população sobre a importância da prevenção, incluindo os leitores desta matéria e todos aqueles que buscam evitar incêndios. Embora as autoridades atuem, é notório que a prevenção eficaz exige a colaboração de todos, especialmente em períodos de baixa umidade, quando a combustão pode ocorrer espontaneamente ou ser provocada por ações humanas”, enfatiza.