Sarampo no Tocantins: Especialistas explicam como a engenharia impulsiona o desenvolvimento de vacinas e destacam importância da imunização para controlar a proliferação do vírus
A engenharia de bioprocessos e biotecnologia tem um papel fundamental na produção de vacinas como a do sarampo29 de julho de 2025, às 14h30 - Tempo de leitura aproximado: 4 minutos
De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO), até a terça-feira, 29 de julho, foram registrados 20 casos de sarampo, sendo 17 em Campos Lindos, dois em Palmas e um em Porto Nacional. Destes, 11 foram confirmados em Campos Lindos e nove seguem em investigação. Todos os casos têm com históricos de contatos com pessoas que estiveram em viagem por país onde o vírus circula; não vacinados; manifestaram sintomas clássicos e em cuidados domiciliares.
“A erradicação de doenças como o sarampo só é possível através da vacinação em massa, e são os engenheiros de bioprocessos e biotecnologia, que transformam a descoberta científica em um produto acessível que salva vidas. É uma área de grande impacto social e, na UFT, formamos os profissionais que estarão na linha de frente dessa missão”, explica o Dr. André Felipe da Silva, Engenheiro de Bioprocessos e Biotecnologia, coordenador do curso de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia – da Universidade Federal do Tocantins (UFT).

A Engenharia de Bioprocessos no desenvolvimento de vacinas para a prevenção do sarampo.
“A Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia está totalmente envolvida na produção de vacinas para garantir a saúde pública. No caso da vacina do sarampo, que faz parte das imunizações tríplice (sarampo, caxumba e rubéola – MMR) ou tetra viral (MMRV), trata-se de uma vacina de vírus atenuado. Isso significa que ela utiliza uma versão enfraquecida do vírus, incapaz de causar a doença, mas forte o suficiente para estimular nosso sistema imunológico”, explica o especialista.
A relevância da profissão para a erradicação da doença.
“O profissional em Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia atua desde o cultivo em larga escala do vírus atenuado em biorreatores, garantindo condições ideais de crescimento e segurança, até o processo de purificação e formulação da vacina. Isso envolve o desenvolvimento e a otimização de métodos para separar o vírus de outros componentes, assegurando sua pureza e eficácia, e estabilizá-lo para armazenamento e transporte. A qualidade, segurança e capacidade de produzir milhões de doses de vacinas dependem diretamente da expertise desses profissionais”.
O processo de desenvolvimento de uma vacina.
“Tudo começa na pesquisa e descoberta, onde cientistas identificam o patógeno (o vírus do sarampo, por exemplo) e buscam uma forma de induzir a imunidade. Para a vacina do sarampo, o desafio foi atenuação do vírus: isolar o vírus selvagem e cultivá-lo repetidamente em células em laboratório. A cada passagem, o vírus perde gradualmente sua virulência (intensidade do patógeno em causar a doença) mas mantém sua imunogenicidade (capacidade de gerar resposta imune), tornando-se ‘atenuado’”.
“Após a obtenção da cepa atenuada, inicia-se a produção em escala de bancada, seguida pelos estudos pré-clínicos (em células e animais) para avaliar segurança e eficácia. Se aprovada, a vacina avança para as fases de testes clínicos em humanos (Fase I para segurança, Fase II para dose e resposta imune, e Fase III para eficácia em larga escala). Após o sucesso nos testes, o desenvolvimento de bioprocessos é intensificado para a produção industrial, onde a Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia atua, estabelecendo os protocolos para cultivo em biorreatores de grande volume, purificação e formulação da vacina. Finalmente, ocorre a aprovação regulatória por órgãos de saúde, como a ANVISA no Brasil, e a vacina é distribuída”, enfatizou.
O engenheiro ainda destaca a importância da vacinação. “É fundamental ressaltar que a segurança da vacina é investigada rigorosamente ao longo de todo esse processo de desenvolvimento, e a sua administração só ocorre quando comprovadamente os benefícios da vacinação superam os riscos de não vacinar”, concluiu.
A Inspetora adjunta do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Tocantins (Crea-TO), Eng. Bioproc. e Biotec. Layane Alves Ferreira reforça a importância da vacinação para a diminuição do vírus e enfatiza a participação ativa dos profissionais na produção de vacinas seguras e eficazes. “ A engenharia de bioprocessos e biotecnologia tem um papel fundamental na produção de vacinas como a do sarampo. Essa área torna possível transformar a ciência em vacinas seguras e eficazes, produzidas em larga escala para chegar até a população”.

“No Tocantins, o número de casos de sarampo é preocupante, e vale lembrar que essa doença já havia sido considerada erradicada no Brasil. Infelizmente, por conta do relaxamento na vacinação, ela voltou a circular. Por isso, é essencial reforçar que apenas com a vacinação em massa conseguiremos erradicá-la novamente. Engenheiros de Bioprocessos e biotecnologia que atuam na produção de vacinas, trabalham para que cada dose de vacina produza o efeito esperado e proteja vidas, contribuindo para o fortalecimento da saúde pública”, ressaltou.