Mulheres que constroem o Tocantins através da Engenharia
Conheça a história de quatro mulheres que escolheram ser engenheiras22 de junho de 2023, às 8h45 - Tempo de leitura aproximado: 4 minutos
O dia 23 de junho é conhecido como o Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, a data foi criada pela Women’s Engineering Society (WES) do Reino Unido e busca fortalecer e ampliar os espaços das mulheres na Engenharia no âmbito mundial.
Para se ter uma ideia da história das mulheres na engenharia, no dia 17 de dezembro de 1792 foi o início formal do curso de Engenharia no Brasil, mas a formatura da primeira mulher na área só ocorreu em 1917, ou seja, 179 anos depois.
Essa diferença seguiu e segue os cursos de engenharia no mundo, mas o desequilíbrio vem diminuindo ao longo dos tempos com as mulheres que têm alcançado cada vez mais espaços e posições de destaque no mercado de trabalho, em especial no Tocantins.
Os números no Sistema Confea/Crea
Tradicionalmente ocupada por homens, a área da engenharia vem, ao longo dos anos, ganhando cada vez mais adeptas. De acordo com uma recente pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Engenharia (Confea), o percentual de mulheres registradas como engenheiras no Brasil corresponde a 19,3% (199.786 mulheres engenheiras) do total de 1.035.103, no país.
Atualmente no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Tocantins (Crea-TO) existem 6.136 registros ativos, deste número 1.549 são de mulheres o que equivale a 25,24% dos profissionais do Sistema no estado. Nas modalidades de títulos ativos do Crea-TO, no ranking das 05 maiores profissões estão: a Engenharia Civil com 686 mulheres registradas no Conselho, a agronomia com 303, a engenharia ambiental com 202, a engenharia elétrica com 51 e a Engenharia florestal com 50.
Em homenagem a todas as engenheiras que estudam e/ou trabalham, e ajudam a construir o Tocantins através da engenharia vamos contar a história de algumas delas.
“Profissão que transforma realidades”
A Engenheira Civil, Sueleide Monteiro, é Coordenadora do Comitê Gestor do Programa Mulher do Crea-TO. Saiba mais sobre o programa que foi criado no Regional durante a gestão do Presidente Daniel Iglesias.

Sueleide conta que decidiu fazer engenharia por influência paterna. “Decidi fazer engenharia pelo fato de meu pai trabalhar na área de pavimentação. E também pelo o fato de ser uma profissão que transforma sonhos em realidades”, disse.
Formada há 07 anos e atuante no mercado de trabalho ela explica que as maiores resistências por parte masculina foi em aceitar uma mulher no comando de execução de obras, principalmente por parte de colaboradores. “Mas quando mostramos que temos competência profissional e sabemos o que estamos fazendo, o preconceito é superado”, ressaltou.
Para ela, ser coordenadora do programa Mulher do Crea-TO é muito gratificante por poder ampliar o conhecimento das profissionais do estado e conhecer a realidade das engenheiras no Tocantins. “Por meio do Comitê estamos conseguindo valorizar e ampliar a participação das mulheres na engenharia. Através dessa iniciativa percebemos que estamos motivando outras mulheres a se profissionalizar, fazer networking, a mostrar o seu trabalho e o seu potencial como profissional. Estamos conseguindo mostrar que as mulheres estão cada vez mais fortes e podendo ocupar os mesmos lugares que os homens”, conta.
“em 1989 haviam pouquíssimas agrônomas”

Rose de Oliveira se formou em Engenharia Agronômica, pela faculdade de Bandeirantes no Paraná (hoje Universidade Estadual do Norte do Paraná), em 1989. Ela conta que sua escolha foi por ter afinidade, e escolheu especificamente a Agronomia por inspiração do avô João Thomaz Pereira e da tia Sônia Bergamasco, ambos agrônomos e professores, assim como ela.
Atualmente ela é Coordenadora do Curso de Agronomia em Guaraí e Conselheira do Crea-TO. Rose conta que explicitamente sofreu preconceito quando recém-formada. ‘Naquela época que eu me formei em 1989, realmente, eu sofri preconceito com relação a profissão e por ser mulher, mas eu vi que era porque tinha poucas mulheres principalmente, só que depois eu aprendi a lidar com isso. Então hoje como professora e coordenadora, nós fazemos um trabalho com as meninas, com as estudantes de agronomia, realizamos palestras, desenvolvemos algumas ações, para que elas não sofram o que nós já sofremos”, explica.
“O seu lugar não é aqui”
A Jâmila Alves Cavalcante é Engenheira Eletricista, de segurança do Trabalho e de telecomunicações, ela conta que decidiu ser engenheira quando estava ainda no ensino médio “Eu vi um artigo falando sobre as profissões do futuro e no texto estava a engenharia elétrica, e eu fui pesquisar mais a fundo e gostei bastante e decidi entrar na área. A minha graduação foi bem árdua porque começou com apenas três mulheres na turma e eu fui a única delas a me formar da nossa turma”.

Ainda na graduação, a profissional narra que teve um episódio que marcou bastante a sua história como engenheira. “Foi em uma prova que o professor chegou e olhou pra mim e me perguntou o que eu ainda estava fazendo no curso. Ele me disse que aquele não era um curso pra mim, que eu deveria ir para a engenharia civil ou arquitetura. Mas eu não desisti e hoje estou aqui, engenheira eletricista, de segurança do trabalho e de telecomunicações”, ressalta.
O futuro na Engenharia

Para a estudante do 9º período de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Tocantins (UFT), Geisa Kely, a escolha pela engenharia sempre esteve clara. “Eu sempre tive vontade de fazer alguma engenharia, inicialmente eu tinha muita vontade de fazer engenharia civil… Aí fiz o técnico em edificações, em 2015 no IFTO e decidi tomar outros rumos, mas dentro ainda da engenharia, entrei na ambiental e gostei”, disse.
Para ela um dos maiores desafios é conseguir ter confiança. “É preciso ter confiança que a gente é capaz de fazer qualquer coisa dentro da engenharia, não só nessa parte ambiental, mas em qualquer outra parte. É conseguir o respeito como engenheira, e o reconhecimento como profissional capacitado da área”, finaliza.